Imagine uma pessoa que, por causa de uma miopia que cresceu gradativamente, tenha de passar cinquenta anos usando óculos. Agora, imagine que essa mesma pessoa, graças a uma cirurgia de catarata e à adaptação de lentes intraoculares, passe a não depender mais de óculos. É como se as lentes que ele usou durante cinquenta anos na frente dos olhos passassem a ser usadas dentro dos olhos. Bom, né?
Mas agora imagine que a essa pessoa, justamente por causa de sua miopia, bastava afastar os óculos para enxergar de perto, e agora, com os óculos ‘dentro’ dos olhos, como fazer? Enxergar de longe ficou uma beleza; enxergar de perto, um caos!
Como um escrevinhador compulsivo, como eu, reage a uma situação dessas? Ficar sem escrever parece uma tortura! E saber que vai demorar de trinta a quarenta dias para você ter uma receita de óculos que te permita enxergar de perto piora essa tortura! Escrever uma ou duas linhas no celular, ou mandar mensagens de áudio, é uma coisa; escrever crônicas para este blog, ou prosseguir na criação de meu novo livro, é outra coisa totalmente diferente.
Estou escrevendo agora graças a uma ferramenta do Word que permite que você dite o texto enquanto ele digita. É claro que ele erra, escuta mal, não coloca vírgulas, não coloca pontos… Para corrigir os erros do texto, tenho de recorrer a uma lupa, do tipo usado pelo detetive Sherlock Holmes, criação genial de Conan Doyle.
Essa minha necessidade de usar a lupa fez com que Nereu Leme, o publisher deste blog, sugerisse que eu escrevesse uma crônica com o título ‘O dia em que virei Sherlock Holmes’.
Só que Sherlock usava sua lupa para descobrir pistas, impressões digitais, desvendar crimes. E eu tenho de usar para procurar letrinhas fugidias e colocá-las numa sequência que faça sentido! Não é fácil! Escrever digitando diretamente no computador é uma coisa; ditar um texto para outro escrever é outra totalmente diferente. Vira e mexe, você perde o sentido do que estava falando/escrevendo! E toque reler (com a lupa de Sherlock, claro!) e reescrever.
Mas parece que não ficou tão ruim. Consegui escrever um texto que dá mais ou menos para entender. Isso é uma vitória para quem vai ter de ficar pelo menos quarenta dias sem poder digitar seu próprio texto!
Nota: Texto produzido com auxílio de Inteligência Artificial, ou seja lá como se chame essa ferramenta do Word!




