Ele é primo do Sobrenatural de Almeida, personagem que Nélson Rodrigues usava para explicar as derrotas de seu Fluminense. Imponderável de Almeida é mais novo, bem mais novo, e está aí não para justificar a derrota de um time, mas a desmoralização de um prognóstico, dito tecnológico: ele acaba de derrubar a previsão do matemático alemão Joachim Clement, que apontava a derrota do Brasil para o Japão no primeiro mata-mata de nossa seleção na Copa de 2026. Quem assistiu ao jogo ontem, viu que ganhamos de virada. Foi um sufoco, mas vencemos!
Clement mantinha cem por cento de acerto em suas previsões de campeões mundiais desde a Copa de 2014. Para este ano, ele prevê a vitória da Holanda, que vai derrotar a seleção de Portugal na finalíssima. Antes de chegar à final, os holandeses terão derrubado a Espanha e os portugueses passarão pela Inglaterra. Mas como confiar nessa previsão, já que ele começou erroneamente mandando o Brasil de volta para casa logo no primeiro confronto desta nova fase?
“Provavelmente, uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo”, previu Joachim Clement sobre a derrota do Brasil para o Japão. Logo aí, percebemos que as previsões ‘matemáticas’ do homem não poderiam ser infalíveis como ele e o resto do mundo preconizavam, já que ele admitia a existência de uma ‘zebra’. Ou seja, o Imponderável de Almeida poderia muito bem entrar no circuito e melar uma – esta feita sobre o jogo do Brasil com o Japão, por exemplo – ou mais antecipações de resultados que a fria matemática pudesse estabelecer.
Porque basicamente existe um dado lógico que as previsões futebolísticas têm de observar: o futebol não tem lógica!
“Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, ele se defendeu de sua possível falibilidade. Falibilidade, aliás, que nós festejamos!
Ainda que o prognóstico tenha falhado, eu fico perguntando que dados ele talvez tenha tabulado em seu computador infalível para apontar a derrota do Brasil. Não havia como negar, matematicamente, a superioridade brasileira: em quinze jogos travados através dos anos, nossa seleção principal venceu doze, e em momentos menos incisivos empatou dois. A única vitória nipônica (3 a 2) aconteceu num amistoso em 2025. Mas aí era amistoso, não valia taça! E o futebol japonês deve muito de sua evolução aos atletas brasileiros, inclusive Zico, que foram para lá!
Para que o Imponderável de Almeida não tripudie completamente sobre a previsão de Clement sobre Brasil e Japão, o próprio cientista faz uma ressalva sobre seus cálculos futuristas: pede que se considerem seus resultados com cautela, pois estes fatores contam apenas uma parte da história. “Os outros cinquenta por cento são de sorte.”
A sorte de contar com jogadores que não se entregam e de apresentar um futebol que, apesar de não ser mais o mesmo, já foi o melhor do mundo!
Em tempo:
A Holanda foi desclassificada pelo Marrocos nos pênaltis e, portanto, o Clement (ou Klement) acabou de ser totalmente batido pelo Imponderável de Almeida.




