Creio que os quase sete anos em que estamos aqui neste espaço trocando impressões me credenciem a fazer uma pergunta íntima: o prezado leitor é uma pessoa considerada saudável, que solta uma média de trinta e dois puns por dia, ou é daquelas devastadoras, cujos índices de emissão chegam a quase sessenta ocorrências diárias?
Antes de prosseguir, quero deixar claro: 1 – não se trata de uma competição; 2 – não tenho o mínimo interesse em saber como e em que nível meus leitores livram-se de sua produção interna de gás metano! O que estamos tratando aqui é de uma pesquisa científica. Cujo autor não sou eu.
A culpa por tocarmos num assunto tão, digamos, intrusivo é de pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. Eles resolveram estudar a frequência de gases eliminados pelo corpo humano porque a flatulência, segundo eles, diz muito sobre a saúde do intestino. A quantidade e a frequência de puns indicam como as bactérias que vivem lá estão lidando com os carboidratos que sobram da sua digestão.
Os cientistas resolveram o problema de contagem das emissões – dificilmente alguém contabiliza os próprios puns; se os faz, quem garante que não inflacione ou subestime as próprias contas? – instalando um ‘sensor’ de hidrogênio nas roupas íntimas das cobaias, que detecta, dizem, com quase noventa e cinco por cento de precisão, todas as vezes em que um gás percorre o circuito.
Embora a notícia não informe se o sistema de detecção avalie também a extensão temporal da emissão – se é apenas um traquezinho, ou um eflúvio correspondente a um movimento sinfônico – os pesquisadores definiram três tipos de emissores: os ‘digestores zen’, que consomem muita fibra e soltam quase nada de gases – teve gente que acionou o sensor apenas quatro vezes – os ‘hiperprodutores de hidrogênio’, com flatulência excessiva (um total de quase sessenta) e as pessoas normais, que ficam entre as duas categorias (com cerca de trinta anotações).
Os primeiros estudos foram feitos com adultos dos Estados Unidos, que usaram o sensor de hidrogênio por uma semana. A ideia dos pesquisadores é recrutar o máximo de voluntários, para criar o primeiro ‘atlas do pum humano’. O objetivo é chegar a um valor de referência da flatulência para avaliações de saúde, assim como existe para níveis de colesterol e glicose no sangue, por exemplo.
Quando os pesquisadores chegarem para avaliar o potencial energético dos brasileiros, prometo avisar por aqui.




