Risoto de siri

Imagine que você está na cozinha de sua casa, picando uns tomates para fazer um risoto de siri, entra o Edu Ribeiro, diretor do semanário classista ‘Jornalistas&Cia.’ e diz: “Vim ver se é você mesmo que está fazendo, ou se comprou pronto!”

Parece uma cena de novela? Enredo de um reality show fictício?

Pode parecer, mas não é! É uma cena real, que se desenrolou em 5 de outubro de 2019, quando Edu e a esposa Alice vieram descarregar o peso de suas atividades paulistanas nas praias de Florianópolis. E eu, como bom anfitrião, resolvi mostrar-lhes que a hospitalidade florianopolitana transcende a cidade de origem de cada um.

Voltando à cozinha: a única coisa ‘comprada pronta’ ali era a carne de siri desfiada, que eu não teria tempo, capacidade e paciência para abrir as casquinhas de siris, uma por uma, para extrair sua carne. No mais, era tudo de minha própria lavra. E convenhamos, modéstia à parte: não é todo mundo que sabe fazer um risoto de siri, e não é qualquer um que faz risoto de siri para Eduardo Cesário Ribeiro.

Ele tinha entrado em contato comigo pouco antes, pedindo ajuda para encontrar uma boa pousada para descansar alguns dias em Floripa. Enviei-lhe algumas opções, mas ele acabou encontrando por conta própria uns chalés na avenida Campeche, bairro vizinho ao Morro das Pedras, onde fica minha casa.

Antes disso, tivéramos contato pessoal apenas uma vez, quando Edu foi ao lançamento de meu segundo livro, ‘A rosa no aquário’, em abril de 2019, no bar Canto Madalena. Mas é claro que já o conhecia anteriormente, desde os tempos de sua coluna no ‘Comunique-se’ e, depois, no ‘Jornalistas & Cia.’ (Fiquei sabendo, durante nossos contatos, ainda virtuais, que poderíamos ter-nos conhecido muito antes, já que estudamos, na mesma época, no mesmo colégio).

Foi durante seu tempo de ‘Comunique-se’ que Edu encontrou nas ruas, como um sem-teto, o jornalista Rubens Marujo, com quem eu havia trabalhado na ‘Folha’. Sua ação humanitária em relação à recuperação do Marujo foi o estopim para que eu começasse a admirar seu trabalho. Conheci o ‘J&Cia’ apenas em março de 2011, quando, por intermédio de Fernando Morgado, publicamos uma nota sobre o lançamento de meu primeiro livro, ‘As covas gêmeas’.

Se não me falha a memória – e o pessoal do ‘J&Cia’ pode confirmar ou negar isso – foi com o resgatado das ruas Rubens Marujo, que viria a morrer pouco depois, que a seção ‘Memórias da Redação’ foi criada e sobrevive até hoje no semanário. Portanto, graças a ele e ao Edu é que tive oportunidade de contar algumas de minhas lembranças, umas mais, outras menos memoráveis. Esta, por exemplo, não é exatamente uma memória da redação. Mas é uma lembrança que envolve alguém diretamente ligado à criação do ‘Memórias da Redação’.

Em tempo: Acreditam que dois jornalistas se encontram num ambiente externo, aprazível, coloquial, memorável… e não fazem sequer uma selfie?

Marco Antonio Zanfra

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