Coisas MAIORES

Ad maiora natus sum (nasci para coisas maiores), no meu caso, ser padre e, quem sabe, escritor. Este, pelo menos, era o desejo de minha santa mãezinha – que Deus a tenha e conserve. Ali pelos meus quatro, cinco anos – naquele tempo não tinha pré-escola –, ao me ver rabiscando o terreiro com um graveto, ela dizia às amigas toda orgulhosa: “Ele vai ser escritor um dia.”

Padre não fui, escritor também não, mas tenho alguns lampejos. Na maioria das vezes, careço de ideias; em outras, até as tenho em profusão, mas a preguiça me consome. Na soma geral, tenho dois livros, que não editei, e muitos textos espalhados por aí. Alguns bem interessantes e outros que, valha-me Deus!

Durante quase 28 anos, fui responsável por uma revista do ramo empresarial, em que publicava mensalmente uma crônica sobre os mais variados temas. Foram mais de 300 textos, entre eles, “Eu e meu amigo Chuck”, uma brincadeira com o ator norte-americano Chuck Norris, falecido recentemente.

Nessas coincidências da vida, “encontrei o famoso intérprete de “Bradock” nas areias de Copacabana, ajudei-o a pagar um coco, visto que ele não tinha trocados em Real, e nos tornamos ‘amigos’ por um dia…”. Detalhe: essa crônica marcou minha estreia no blog “Contando História”, criado há exatamente sete anos por Nereu Leme e outros ex-jornalistas da Folha de S. Paulo.

Há que se destacar a importância desta iniciativa, não só pelo prazer da leitura e variedade dos temas tratados, como também pela oportunidade de rever ou conhecer o trabalho de alguns colegas de redação. Detalhes corriqueiros nem sempre permitidos pelo corre-corre diário.

Vale lembrar também que o blog serviu de apoio durante os quase três anos de pandemia, a alguns de nós já aposentados e outros ainda na ativa. No meu caso, afastado abruptamente do trabalho e isolado em casa, foi uma oportunidade de criar e manter um certo contato com esse mundo da comunicação, tão caro a todos nós.

Nestes sete anos, tivemos a oportunidade reunir algumas das melhores crônicas de cada um em um livro online. Impossível destacar esta ou aquela, cada uma traz no seu bojo o estilo, a subjetividade e inventividade de seus autores. Parabéns a todos e parabéns a todos nós, colaboradores. Que venham mais livros e muitos e muitos anos de “Contando História”!

Manoel Dorneles

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *