Sete anos e milhares de palavras

Aquele buraco não deveria estar ali. Ele apareceu de repente, sorrateiro, covardemente. Sorveu meu pé direito, fez Sul o meu Norte e me girou forte para a esquerda, como numa juvenil opção de quem busca salvar o mundo. 

Com ‘Frevo em noite de inverno luso’, o veterano jornalista Carlos de Oliveira narrava, com muito humor, um belíssimo tombo que sofrera em Lisboa, em eras ainda mais veteranas que ele. Era 22 de outubro de 2019 quando o tombo do Carlinhos saiu de suas discretas lembranças para ganhar o mundo literário e inaugurar o blog Contando História. Às palavras impecáveis do jornalista, vieram se somar outras milhares, agrupadas em quase 600 textos, sérios ou nem tanto, nestes sete anos de vida da publicação.

Carlinhos foi o precursor, mas outros tantos escritores e/ou jornalistas vieram formar a seleção que até hoje abrilhanta o Contando História. Nereu Leme, o idealizador e publisher do blog, foi o responsável por convocar o time que até hoje mantém as páginas atualizadas, pelo menos uma vez por semana: o próprio Nereu, Célia Bretas Tahan, Manoel Dorneles Rodrigues, Marco Antonio Zanfra (também conhecido como eu), Aurélio de Oliveira e Luiz Padovani, além dos eventuais Fernando Morgado, Neide Duarte (nossa querida ‘Coca’), Renata De Luca e Chico Lelis.

Esse casamento merece, nestes sete anos, comemorar ‘Bodas de Lã’, como os casamentos reais. Dizem que os matrimônios que sobrevivem à crise dos sete anos têm vocação para durar para sempre; por isso resolvemos comemorar agora. Não que alguma crise nos assombre, pelo contrário. Um blog que até já virou livro – uma seleção com as 113 melhores crônicas, em formato e-book (https://www.amazon.com.br/gp/product/B0CLL1816Q) – tem tudo para comemorar quatorze, vinte e um e vinte e oito anos (caso nós duremos até lá).

A título de informação sobre as autorias do Contando História: dos 532 textos, Carlos de Oliveira compareceu com nove, Nereu com 38, Marco Zanfra (eu de novo) com 282, Dorneles com 94, Chico Lelis com seis, Célia com 65, Morgado com dois, Padovani com quatro, Aurélio com 26, Coca com quatro e Renata com dois.

Marco Antonio Zanfra

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