Gostaria de dividir com vocês uma história verídica, ao que tudo indica, que me foi repassada há muitos anos pelo Fernando Yassu, à época solerte repórter dos Diários Associados. Que eu saiba, ele continua na ativa, nos quadros da valorosa revista DBO Rural. Yassu, que alguns deste blog tiveram o prazer de conhecer, sempre me pareceu, nos modos e no linguajar, um nissei de espírito caipira.
Ele me fazia lembrar do personagem Hiro, dos desenhos do mestre Maurício de Souza. Fosse na redação, no café ou no chope do final de tarde, lá vinha o “japonês” com um caso curioso de sua Itaí, cidadezinha aprazível, a uns 300 e poucos quilômetros de São Paulo. Às margens da represa de Jurumirim, destaca-se na produção de feijão e, mais recentemente, de soja.
Pois bem, certo dia, Yassu vem me falar de um famoso dentista de sua cidade, conhecido em toda a região como “Doutor Saboroso”. Diz ele que o apelido surgiu ainda na infância, durante uma “brincadeirinha” entre dois amigos. Não sou muito dado a fofocas desse tipo, mas parece que os meninos praticavam então um ato, que era muito comum na antiga cidade de Sodoma.
Aliás, reza a Bíblia que o Todo-Poderoso, irritado com esse costume, exterminou Sodoma e sua vizinha Gomorra da face da terra. Alguns falam que foi fogo dos céus, outros que um bombardeio nuclear, o fato é que não sobrou ninguém, a não ser a família de Lot pra contar a história. Mas aí já é outro caso.
Nesse de Itaí, o Senhor não parece ter sido tão rigoroso assim. Tudo se deu, segundo Yassu, quando no auge dos folguedos, o de cima quis saber do de baixo:
– E aí, tá gostoso?
E a resposta:
– Tá saboroso.
Não precisa dizer mais nada. Cidade pequena, sabem como é, a história se espalhou como um rastilho de pólvora. O “de baixo”, vamos chamá-lo assim, cresceu, formou-se em odontologia, montou um belo consultório no centro, casou-se, constituiu família, mas no caso do apelido, parece ter usado Corega. Nunca mais se desgrudou do “Doutor Saboroso”.




