Filme triste

Logo depois do lançamento de meu primeiro livro, ‘As covas gêmeas’, em 2011, levei um exemplar para o cineasta catarinense Zeca Pires – que havia produzido o sucesso local ‘A antropóloga’ – e sugeri que minha história poderia muito bem ser transposta para o cinema. Afinal, dois conceituados jornalistas haviam emitido anteriormente opinião nesse sentido: Assis Ângelo e Álvaro Junqueira, à época assessor do governador de SC, Luiz Henrique da Silveira, diziam que o livro era “um filme pronto”.

Zeca concordou e começou a colocar a ideia em prática. Pôs no circuito Sandra Nebelung, que havia sido responsável pelo roteiro de ‘A antropóloga’, e a gente começou a se reunir para definir o andamento do projeto. Em 2013 ou 2014, se não me engano, foi feito o encaminhamento da documentação completa para a Ancine (Agência Nacional de Cinema). 

O projeto foi aprovado e a produtora ‘Mundo Imaginário’, que seria responsável pela execução da película, foi autorizada a captar recursos. Na época, Zeca Pires avaliou que precisaríamos de pouco mais de R$ 2,4 milhões para a produção. Em números de hoje, segundo atualização monetária do BC, os custos seriam de R$ 5,8 milhões.

Pois já faz mais de 13 anos, e o projeto não conseguiu sair do papel! Não houve quem se interessasse em financiar a produção.

Pois façam um exercício de imaginação e calculem o que a gente faria se conseguisse hoje os R$ 61 milhões que Daniel Vorcaro deu de bandeja para lamber um certo ego e financiar o filme ‘Dark Horse’, que, em tradução muito livre da minha cabeça significaria ‘Pangaré Chucro’? Não precisaria nem ser o total prometido pelo banqueiro golpista, de R$ 134 milhões! Bastava o dinheiro já depositado na conta sabe-se lá de quem!

Ao custo atualizado do nosso filme, poderíamos fazer dez versões diferentes! Poderíamos lotear um cemitério com covas gêmeas, e ainda sobraria dinheiro! Mas a gente não faz parte do esquema! Felizmente, na minha opinião, não estamos envolvidos em trambiques cuja extensão dos tentáculos talvez nunca seja totalmente dimensionada. Mas se alguém se dispuser a, honestamente, custear a produção de ‘As covas gêmeas’, o projeto continua vivo.

“Eu fico sem graça de ficar te cobrando, está em um momento muito decisivo aqui do filme. E tem muita parcela para trás, e está todo mundo tenso e eu fico preocupado aqui com o efeito contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”, teria dito o Bolsonaro Júnior a Vorcaro – isso depois de ostentar uma camiseta com os dizeres “O Banco Master é do Lula”!

E a gente não conseguiu R$ 2,4 milhões, à época, para rodar nosso filme honesto!

Na foto, depois de uma reunião para discutir o roteiro do filme,

estão Zeca, Sandra e Marco Antonio Zanfra.

Marco Antonio Zanfra

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