A criançona

Quem acredita em Deus é capaz de acreditar em qualquer coisa! 

Que me perdoem os crentes, mas só uma premissa como essas para explicar como uma família (religiosa) recebe em casa uma mulher de trinta e sete anos e a aceita como se ela fosse uma menina de doze! Uma adolescente no início da puberdade! E durante quatorze meses!

Não foi por um fim de semana, mas por mais de um ano! 

Como alguém com trinta e sete anos consegue, com seu aspecto físico e eventuais sinais de envelhecimento, convencer uma família de que é assim como é porque é autista, sofreu abuso e foi obrigada a tomar hormônios? E, apesar de sua alegada idade, ainda guardava comportamentos infantis, como usar chupeta e mamadeira, brincar de boneca, ter medo de escuro e desenhar como uma criança de dois ou três anos? 

A história da ‘Gabriele’ valeu a semana! E me lembrou de um filme de 2009, A Órfã, m que um casal de luto por um aborto adota uma menina de nove anos, que na verdade tinha trinta e três e era uma serial killer. No caso do filme, a ‘menina’ Esther tem uma doença hormonal rara, o hipopituitarismo, que a faz parecer uma criança. Diferentemente do caso atual, em que a farsante não parece nem um pouco infantil! 

Nos dois casos, o casal protagonista do filme não é a primeira vítima da falsa criança, assim como a família de Joinville é a terceira ou quarta a ser ludibriada por Gabriele. Mas a da cidade catarinense é a primeira a organizar uma festinha de aniversário para comemorar a chegada da golpista aos ‘doze anos’! 

Como ela já estava sendo tratada quase como uma filha, nada mais lógico do que uma festinha reunindo a criançada, com bolo, bexigas, chapeuzinhos e línguas-de-sogra…

Tanto no filme quanto na vida real (?), um membro da família desconfia da história e acaba deflagrando o desfecho. Em A Órfã, Esther acaba sendo morta pela mãe adotiva (Vera Farmiga), depois de ter assassinado o marido dela (Peter Sasgaard) a facadas – a morte dele foi a última de uma série de assassinatos cometidos pela garota.

Aqui, para felicidade geral da nação, não houve o mesmo rastro de sangue do filme, e Gabriele – ou Amanda Maria Souza Oliveira – acabou sendo presa… provavelmente numa instituição para adolescentes infratores!

Marco Antonio Zanfra

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *