Mandei na segunda-feira, 16 de março, uma mensagem para o WhatsApp do grande jornalista Ricardo Kotscho, parabenizando-o pelo aniversário de setenta e oito anos. Ele agradeceu e completou com seu mais conhecido bordão: “vida que segue”.
Há anos uso esse canal para falar com ele, e não teria do que desconfiar se o assunto fosse outro que não dinheiro: ressalvando que a situação era “meio constrangedora”, ele disse que tinha enfrentado problemas para pagar seu aluguel e me pedia nada menos do que R$ 7.890,00 para quitar a dívida. “Quando eu conseguir falar com a Mariana, ela deposita na sua conta”, ele completou.
Ora, Kotscho mora em São Paulo, tem milhares de amigos mais próximos que eu – inclusive o próprio presidente Lula – por que ia pedir dinheiro a um obscuro ex-colega de jornal que mora longe? Ainda que soubesse o nome da filha dele, é claro que acendeu o sinal de alerta! Ainda tentei brincar: “Ahahah! Se eu tivesse…”
A resposta: “Qualquer quantia que você mandar já me ajuda.”
Não mandei nada, é óbvio! E procurei alertá-lo sobre isso! Falei com o amigo em comum, o escritor e jornalista Dácio Nitrini, e este disse ter recebido mensagem semelhante. “Já o alertei sobre a clonagem”, informou.
No dia seguinte, a filha Mariana Kotscho postou um alerta no Facebook sobre o golpe, dizendo que o pai não estava pedindo dinheiro para ninguém. “Ainda sobrou para mim. O bandido até sabia que eu cuidava da conta dele, porque, ao sequestrar o WhatsApp, viu todas as mensagens!”, recamou. Ela ainda comentou que o valor que ele me pediu dava para pagar o aluguel de uma mansão! Parece que ela não está muito por dentro do mercado imobiliário,
Pois é. O golpe mais comum é alguém aparecer com um novo número, passar por um parente seu e dizer que trocou de telefone ou está usando o novo para assuntos de trabalho, por exemplo. Tirar dinheiro usando o telefone normal é novidade. Por isso, olho vivo: ninguém está acima de suspeita!




