Parte II
Sempre achei que minha gata Samantha tinha algo especial. Ela me adotou, como sempre fazem os gatos. Explico: estava na caminhada diária, quando ela começou a me seguir. Foi tão insistente, que a trouxe para casa. Tirei uma foto e postei no grupo da quadra.
Reconhecida por uma vizinha, eu a levei para a casa onde vivia a tutora. A moça estava viajando e uma pessoa colocava ração para ela, um gatinho e uma Golden. A Samantha (que, na época, se chamava Kitty) pulava o muro e ficava na rua, onde a vizinha que a identificou a alimentava.
Meia hora depois de deixá-la na “sua” casa, ela estava no meu telhado, miando, para que a ajudasse a descer. Levei, outra vez, onde morava. E, outra vez, ela voltou pelo telhado.
Como a tutora não tinha data para retornar, deixei que a Kitty ficasse comigo, embora ela atacasse meus outros gatos.
Dois meses depois, quando a tutora chegou (finalmente!), eu a convenci a doar a Kitty. Troquei o nome para Samantha, para ver como ela reagiria. Por incrível que pareça, aceitou muito bem e – incrível – atendia quando eu a chamava.
Passou a caminhar comigo, todos os dias, pelas ruas da quadra onde moro, em Palmas, no Tocantins.
Passava pela concertina do muro e pulava na rua, me seguindo como um … cachorro. As pessoas que viam ficavam surpresas – eu, também!
Outro dia, uma cachorra grande, que um morador, inadvertidamente, trancou fora de casa, me atacou sem mais nem menos! Fez um belo estrago no meu tornozelo.
A Samantha não teve dúvidas: pulou no pescoço da cachorra que, para se livrar, correu para longe de mim.
Para os engraçadinhos de plantão, sim, a cadela passa bem! E é vacinada, informou a tutora. Eu acordei a mulher, depois de estancar o sangue e fazer um curativo na minha canela.
Já achava que a Samantha tinha algo de cachorro. Depois disso, a certeza: ela é uma gachorra! Será que os experts definiram o caso dela como de dupla personalidade?




