Tudo mudado.
Abro a janela do meu quarto. Tempo nublado.
Abro a janela para ver o Sol. Chove sem parar.
Ando de um lado para outro. Os pássaros nem cantam mais como antes. A chuva encharca a terra e nem consigo pisar na grama. Inúmeras poças d’água.
Fico encharcado só de dar uma escapada até Dora, meu pé de amora para pegar umas frutinhas.
No jardim, as plantas se afogam. Não há o que fazer.
Um amigo me disse uma vez que a mulher dele comprou 12 sombrinhas para proteger suas impatiens, também conhecidas como teimosinhas, do sol escaldante de um Verão passado.
Talvez a saída seja cobrir meu gramado com uma lona de circo?
O que mudou? Nossos olhares não são mais os mesmos. Para nossos ouvidos a previsão do tempo assusta.
Recebo no meu celular um alerta de ciclone. Todo mundo se esconde embaixo da mesa. E chove.
Já plantei 10 árvores. Minha casa é rodeada por um pedaço da Mata Atlântica, mantida como área de preservação pela prefeitura de Guararema.
O vento, por entre os pinheiros dessa mata, assobia. Esses pinheiros são invasores, como a noite que invade o dia. Não são nativos como os Manacás, os Jacarandás, os Ipês. Mas, não podem ser cortados. Claro, também são árvores. Fazem a fotossíntese, produzem sombra, embora pouca. Também não atraem passarinhos porque não têm frutos. Sua pinha cai no solo e produz outro pinheiro. Suas folhas, em formato de agulha, chamadas acícula, ao cair, criam uma camada espessa que pode inibir o crescimento de outras plantas ao redor (efeito alelopático). Por isso os pinheiros são considerados invasores.
Para proteger a grama, minhas árvores frutíferas, a amora Dora, a jabuticaba Alba, a pitanga Camila e o limão Sebastião, preciso sempre rastelar as acículas.
E a chuva, parece que choveu o mês inteiro de fevereiro, inunda as coroas das frutíferas.
Não sei se elas vão aguentar tanta água. Temo que se afoguem.
Parece mesmo que são outros tempos.




