Uma vozinha infantil interrompeu o vaguear de meus pensamentos, enquanto eu caminhava pela rua Sagrado Coração de Jesus, na ensolarada manhã de sexta-feira. A menina devia ter uns dois anos e vinha de uma dessas adjacentes sem saída que desembocam na rua principal:
– Tem ‘oto’, mamãe? – ela perguntou, e eu deixo que os leitores escolham o timbre de voz com que ela disse isso.
– Tá ali, Maria Rita! – indicou a mãe, e o vocativo provocou em mim o mesmo que um verso bonito…
Maria Rita!
Não Vitória! Não Valentina! Não Djenifer ou Suelen!
Maria Rita, simplesmente!
O nome que Elis Regina deu à filha! O nome de duas ou três garotas que conheci em toda a minha vida, além daquela que levou seu retrato, seu prato, seu trapo, que papel!
Numa época de modismos, de nomes importados e aportuguesados, ver uma criança sendo chamada de Maria Rita me encantou. Talvez a mãe tenha buscado inspiração em Santa Rita de Cássia – nascida Margherita em 1386 – a santa das causas impossíveis ou desesperadas, ou talvez, como eu, ela tenha tentado prestar sua homenagem a Elis.
O que eu sei, após pesquisar, é que Maria Rita não consta entre os cem nomes de meninas mais comuns em 2025. Tem um monte de compostos com Maria, mas nenhum trazendo Rita como complemento. Rita não aparece sequer como um nome único, sem Maria antes ou depois.
No ano passado, e em dois anos anteriores, o nome mais votado para meninas no país foi Helena – nome também preferido por Manoel Carlos, que morreu no último sábado (10 de janeiro) – seguido de Cecília, Maitê e Laura. Pode parecer anacrônico, como aparentemente seria escolher o nome de Rita para a filha, mas o quinto nome mais votado em 2025 foi Aurora.
E, ao contrário do que eu especulara no início, Valentina ocupa apenas a trigésima nona colocação entre os nomes preferidos; Vitória é o septuagésimo quarto.
Djenifer e Suelen já caíram no esquecimento.




