Lembrar para quê?

Sempre tive memória seletiva no trabalho jornalístico. Lembrava o que ouvi, de quem, onde li, quando e outras coisas que me ajudavam a produzir boas matérias, com histórico de fatos que as pessoas – leitores e entrevistados – esqueciam. 

Mesmo depois de 1995, com o Cadê, substituído pelo Yahoo, em 2013, e o Google, preferi continuar usando minha excelente memória para armazenar informações. 

Há mais de dez anos, desisti de ser jornalista 24 horas por dia, e comecei a aprender trabalhos diferentes, numa área que amo: tecnologia da informação. Era bem empenhada e conseguia fazer muitas coisas, melhor até que alguns técnicos. Daí, entrei em licença médica, há um ano, por causa de uma vértebra fraturada.

Desde então, sinto que minha memória falha muito, não apenas por causa da tenra idade, mas, também, por falta de uso.

Dia desses, no Pilates, duas amigas comentavam que escrevem diário. Diário? Tinha um na adolescência e até um pouco depois, para desabafar: escrevia o que me aborreceu durante o dia, me acalmava e conseguia dormir.

Não é o que fazem minhas amigas. Elas escrevem sobre o que aconteceu, desde a hora que acordaram. Tudo para exercitar a memória. Ora, ora, ora… Então, é para isso que serve um diário, hoje em dia?

E, você, já escreveu sobre suas atividades de hoje? Ou acha que não precisa exercitar a memória? Se pensa assim, cuidado: o cérebro, computador mais completo e perfeito do mundo, faz coisas que IA nenhuma é capaz… ainda. Para tanto, precisa de exercícios. Pense nisso, caso não queira, amanhã, depender totalmente de máquinas para realizar até as tarefas mais simples.

Célia Bretas Tahan

Um comentário

  1. Pois minha memória continua a mil! Qualquer exercício mental mantém seus neurônios conectados, mas a boa memória é uma característica pessoal. Quem não tem, que escreva diários!

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